No dia 05 de Abril de 2011 as 13h00 eu tinha uma consulta de rotina, já agendada com certa antecedência, porém dessa vez com um médico que eu nunca havia me consultado.
No dia 04 de Abril de 2011 à noite, meu chão sumiu e fiquei tão nervosa que minha pressão começou a subir... Quando minha pressão chegou a 18 por 9 tomei 1 comprimido de diazepam, meia hora depois minha pressão chegava a 18 por 11 e minha visão já estava turva, tomei outra comprimido e deitei enquanto o sentia o quarto girar e o teto subir e descer.
Eu não dormi naquela noite apesar de ter tomado 2 comprimidos de 10 mg cada... Quantidade suficiente para sedar um adulto e faze-lo dormir por horas.
E no dia seguinte, dia 05 de Abril de 2011 eu tinha médico...
Chorei quando estacionava o carro, no elevador, na sala de espera, na sala do médico, na maca, na sala de exames, no banheiro, na sala do médico novamente e no resto daquele dia e por vários outros.
Mas na sala do médico eu escutei uma coisa que foi um estalo, o médico disse assim: " - Você tem consciência que você esteve e está bem perto de ter um AVC?! Você precisa se controlar!"
A palavra AVC foi um estalo... 2 anos antes e por motivos parecidos eu tive um pequeno "desarranjo neurológico", mas ninguém falou em AVC... Naquela época eu tomei os remédios necessários, fiz a dieta recomendada, me exercitei e tudo ficou bem, mas ninguém me falou que se acontecesse novamente eu poderia ter um AVC, ter sequelas e todo aquele drama que o AVC acarreta...
Minha avó teve 8 AVC´s e eu vi o sofrimento dela, o sofrimento da minha mãe cuidando dela...
Morrer de amor é bom em filme, livro, novela e tudo o mais que for fictício... Na vida real, não!
Alias, falou em morrer... Eu não brinco não! Até hoje eu evito em apertar um botão do ar condicionado do carro, porque o consultor técnico me disse que aquilo faz faltar oxigênio no ambiente e os passageiros podem vir a perder a consciência (e consequentemente morrer) depois de muito tempo ligado... Independente desse "muito tempo", eu não gosto daquele botão e o evito!
Passou-se pouco mais de 1 ano desde aquela consulta e a palavra "AVC" surtiu efeito na minha vida... Tomei alguns vários remédios por um tempo, comecei a correr para parar com os remédios e me afastei totalmente da causa do meu quase AVC.
Ontem, dia 03 de Maio de 2012 eu tinha consulta de rotina para levar meus atuais exames e dessa vez eu não abri nenhum exame no carro antes de entrar no consultório.
Dr. Fernando me recebe com um abraço, pergunta como vão as coisas, se lembra daquela primeira consulta regada a muitas lágrimas, da última consulta logo após o carnaval desse ano, pergunta das corridas, pergunta da gastrite, pergunta dos amores, fala do cabelo raspado, da saia comprida, pergunta o que eu acho da homem usar cachecol, pergunta sobre o blog, pergunta se fui na feira de tatuagens no final de semana e por último fala sobre o anel que estou usando no dedo mindinho... Ele é muito perguntador e conversa que é uma beleza!
E durante a conversa ele vai abrindo exame por exame, anotando tudo no computador, comparando com os resultados dos últimos exames e meu coração vai ficando pequeno, pequeno, pequeno, quando por fim ele diz: " - Seus exames são de causar inveja do mais jovem ao mais velho! Quem diria, heim?! "
Abro um sorrisão e meus olhos ficão um tantinho mais brilhantes... Ele percebe... " - Seus exames são uma conquista! Se quiser chorar, pode chorar... Você não vai morrer tão cedo, pelo menos não de AVC... "
Nunca a frase "Eu balanço, mas não caio." fez tanto sentido para mim... Eu não vou morrer tão cedo, graças a Deus!